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Pelo menos pra mim, o mais fascinante de uma boa história não é apenas ela em si, mas os mistérios que elas deixam em aberto para a galera especular. Sim, enredos sutis o suficiente para deixar os fãs malucos em fóruns e sites obscuros são meus preferidos (não é atoa que sou fascinado por Dark Souls e Berserk) e eu admito que viajo lendo várias teorias, até mesmo as bem malucas (mas tem algumas tão viajadas que extrapolam até o meu gosto por maluquice).

Enfim, meu fascínio por histórias desse tipo me levou a conhecer uma das mais incríveis obras que eu já vi : As Crônicas de Gelo e Fogo... ok, o que me fez conhecer foi a série Game of Thrones, mas meu fascínio por enredos misteriosos também ajudou, juro. Quem pensa que o único talento do criador da obra, George R. R. Martin, é nos fazer gostar dos personagens para depois mata-los das formas mais cruéis possíveis e traumatizar todo mundo, está enganado. Eu acho incrível como ele conseguiu criar um mundo rico, complexo, cheio de mitologia e mistério. E pra mim um dos mistérios mais intrigantes desse mundo (assim como da vida real) são as religiões e seus deuses.

Eu sei que falar de religião e deuses (até mesmo fictícios) é complicado. Já vi algumas pessoas tretando em fóruns por aí — tipo uma guerra santa virtual — defendendo que uma religião é verdadeira e a outra não, e vi outros brigarem por não acreditarem de jeito nenhum que existem deuses no mundo de As Crônicas de Gelo e Fogo. Pois é, ainda estamos falando de uma obra fictícia aqui, acreditem. Enfim, eu não sei se os deuses existem, mas eu sei (e acredito que vocês também) que existe algo mais por trás de algumas religiões e crenças nas Crônicas, sendo deuses ou não. E é sobre isso — e outras coisas  — que pretendo falar aqui.

Começando pelos deuses antigos do norte. Vou tentar falar sobre a história dessa crença, da cultura e dos povos que a seguem, e principalmente, tentar explicar e teorizar sobre a magia, os mistérios, e a importância desses deuses para a história em geral e para os próximos livros (e serve até para a série também, eu acho). E pra isso vou ter que dar alguns SPOILERS, principalmente do Bran no quinto livro, A Dança dos Dragões. 

Está avisado hein.

Os deuses antigos quando não eram antigos


A adoração aos deuses antigos vem de muito, mas MUITO tempo atrás, em uma era conhecida como Era da Aurora, a primeira era conhecida do mundo (o que não significa que é a primeira, e sim que não se sabe de nada da história antes dela). Nessa época o continente de Westeros não era habitado por humanos, e era predominado por duas raças, os Gigantes e os Filhos da Floresta. Os Gigantes eram bárbaros, viviam em cavernas  e não adoravam nenhum tipo de deus (que eu saiba), já os Filhos da Floresta eram totalmente diferentes.



Pequenos e frágeis como crianças (eu imagino eles como pequenos elfos) eles viviam dentro de bosques, florestas, cavernas, e era um povo muito unido (pelo menos é a impressão que eu tenho). Na verdade ‘’Filhos da Floresta’’ é um nome dado a eles pelos Primeiros Homens quando esses chegaram em Westeros, por causa da aparência infantil deles. O que é engraçado, pois por viverem muito mais tempo e serem muito mais sábios do que os humanos, os Filhos na verdade consideram os humanos as verdadeiras crianças (o que é bem verdade).

Eles chamam-se  entre si de ‘’aqueles que cantam a canção da terra’’, pois tinham uma conexão muito forte com a natureza, talvez uma conexão maior do que qualquer outra espécie no mundo. E através dessa forte conexão que o culto aos deuses que ainda não eram antigos teve seu início. Os Filhos criaram a adoração aos deuses e todas as suas tradições. Uma crença que não precisa de livros, credos, sarcedotes... tudo o que eles precisavam era a própria natureza. Eles preservavam os represeiros, árvores de tronco branco e folhas vermelhas, pois segundo a crença comum, os Filhos acreditavam que os represeiros eram sagrados para os deuses. Por isso mesmo eles esculpiam rostos nessas árvores, para que os deuses pudessem observar e proteger seu povo através dos represeiros. Tudo de importante era feito diante dos represeiros, pois não havia mentiras diante dos deuses (devo ter escrito ‘’deuses’’ umas MIL vezes só nesse parágrafo, imagina no artigo todo quando acabar).

E então os Primeiros Homens invadiram Westeros através do Braço de Dorne — que ligava Westeros a outro continente e terra natal dos homens, Essos. Eles encontraram os Filhos, viraram amigos e viveram felizes durante muit...pff, claro que não. É de humanos que estamos falando afinal.

O que na realidade aconteceu é que os Primeiros Homens chegaram na nova terra, com bronze e cavalos, e começaram a queimar os represeiros sagrados, o que certamente emputeceu demais os Filhos. E assim começou a guerra entre Filhos da Floresta e Primeiros Homens, uma guerra que não durou muito, durou apenas uns DOIS MIL ANOS. Sério, DOIS MILÊNIOS DE GUERRA. Eventualmente as duas partes fizeram um Pacto pra acabar com a pequena treta, e passaram a viver pacificamente desde então.



O Pacto dividiu terras para ambos os lados, com os Filhos ficando com os bosques e os primeiros homens com todo o resto. Foi a partir de então que os homens começaram a construir seus reinos e castelos por todo continente. Existe algumas teorias de que casamento entre Filhos e Primeiros Homens também faziam parte do pacto, e os nortenhos da atualidade são descendentes dessa união. Apesar de eu curtir essa teoria, não é nada confirmado. Falo mais disso depois.

Essa é a ilha onde foi feito o Pacto. Os Filhos esculpiram rostos em diversos represeiros na ilha para os deuses presenciarem o Pacto, e a ilha ficou a partir de então conhecida como Ilha das Faces


Os Filhos resolveram ensinar sobre os deuses para os Primeiros Homens, e esses caíram na armadilha aderiram a essa crença, passando a seguir todas as suas tradições, inclusive construindo bosques sagrados dentro de seus castelos com um único represeiro como forma de adoração aos deuses. Esses represeiros são chamados de árvore-coração. A crença nesses deuses foi abalada quando, muito tempo depois, um segundo grupo de humanos — mais avançados do que os Primeiros Homens, com armas e armaduras de ferro — invadiram Westeros. Esses eram os vândalos Andalos, que trouxeram uma nova fé consigo, a Fé dos Sete. Eles destruíram os represeiros, guerrearam contra os Filhos e contra os Primeiros Homens, e tomaram boa parte de Westeros no processo, substituindo os deuses dos Filhos pelos seus novos deuses (foi a partir de então que os deuses dos Filhos ficaram conhecidos como deuses antigos).

Esses orelhudos são os Filhos enfrentando os Andalos


Mas os Andalos por mais fodões que fossem, não conseguiram tomar o norte de Westeros para si, por isso os nortenhos são praticamente o único povo de Westeros que ainda tem sangue dos Primeiros Homens e seguem a crença dos antigos deuses. Sim, o povo nortenho é extremamente fiel a seus ancestrais e graças a eles a fé nos antigos deuses se mantém viva até os dias atuais.

Ok, mas o que são exatamente esses deuses antigos? A resposta mais óbvia e segura é de que eles são ‘’elementais’’, apenas espíritos da natureza. Faz sentido, pois os Filhos são bastante ligados a natureza mesmo. Mas porque eles consideram os represeiros tão especiais?  .

‘’Os meistres lhe dirão que os represeiros são sagrados para os deuses antigos. Os cantores (Filhos da Floresta) acreditam que os represeiros são os deuses antigos. Quando os cantores morrem, passam a fazer parte dessa divindade’’ (A Dança dos Dragões, Bran III)
                                                                                                   

Então, ao contrário da crença popular (crença essa difundida pelos meistres, tão confiáveis quanto os historiadores da vida real) os represeiros não são apenas um símbolo sagrado para os Filhos, eles são os próprios deuses antigos. Para entender do porque é preciso falar de algo que não falei ainda...

A magia dos Filhos da Floresta



Na minha opinião os Filhos tem uma relação bem diferente com seus deuses em comparação aos humanos. É inegável que os homens levam sua crença muito a sério, mas é apenas uma superstição (do tipo...'' ah to com problema, vou ali rezar na árvore'') uma tradição passada de geração em geração nas famílias dos homens. Já os Filhos, por serem tão ligados assim com a natureza, tem uma ligação direta com seus deuses através de magia. Os Filhos por si só já são uma espécie bem ''mística'', alguns eram troca-peles, podendo entrar na mente de um animal e controla-lo, outros tinham sonhos proféticos conhecidos como sonhos verdes, mas existiam alguns indivíduos extremamente raros e especiais dentre eles com um poder mágico muito além dos outros. Existe uma lenda de que esses ''escolhidos'' usaram o poder da natureza através de sua poderosa magia durante a guerra com os Primeiros Homens para quebrar o Braço de Dorne, tentando impedir que os homens chegassem a Westeros (é apenas uma lenda não confirmada, mas tal poder poderia explicar porque uma raça tão frágil como os Filhos conseguiram lutar por dois milênios com os Primeiros Homens). Esses magos poderosos eram chamados de videntes verdes.

Os videntes verdes pra mim são um dos conceitos mais fascinantes de todo o mundo de As Crônicas de Gelo e Fogo. Eles ''fundem'' suas consciências — seu próprio ser — com um represeiro, e ai que entendemos o que de especial tem essas árvores. Os videntes verdes se tornam um só com a rede de represeiros espalhados pelo mundo, conseguindo manter seus corpos vivos mesmo depois de MUITO tempo, e viajam com suas consciências pelo próprio tempo e espaço para observar através dos represeiros.

''Bran fechou os olhos e libertou-se da pele. Para dentro das raízes, pensou. Para dentro do represeiro. Transforma-te na árvore. Por um instante conseguiu ver a caverna no seu manto negro, conseguiu ouvir o rio a correr em baixo. 

Depois, de repente, estava de novo em casa. 

O Lorde Eddard Stark estava sentado numa pedra ao lado da profunda lagoa negra no bosque sagrado, com as pálidas raízes da árvore-coração a retorcerem-se à volta dele como os braços nodosos de um velho. A espada Gelo estava ao colo do Lorde Eddard, e ele limpava a lâmina com um oleado. 

— Winterfell— murmurou Bran. 

O pai ergueu o olhar. 

— Quem está aí? — perguntou, virando-se... 

... E Bran, assustado, afastou-se. O pai e a lagoa negra e o bosque sagrado desvaneceram-se e desapareceram e ele viu-se de volta à caverna, com as pálidas e grossas raízes do seu trono de represeiro a embalar os seus membros como uma mãe embala um filho. Um archote ganhou vida na sua frente.''  (A Dança dos Dragões, Bran III)

Aqui acabamos de presenciar Bran — que está treinando pra liberar seus dons de vidente verde (falo disso depois) — voltando no tempo e vendo seu pai no bosque sagrado de Winterfell (que foi? Eu disse que teria uns spoilers, não vá me xingar).

Por mais maluco que isso possa parecer, é por isso que os represeiros são tão importantes para os Filhos: eles fazem seus videntes verdes transcender o próprio tempo e espaço e observar eras e eras através dos represeiros (e ainda já vi gente falando que os POV do Bran são perda de tempo, sendo que revela um dos conceitos mais fodas de todo universo da obra. Parabéns pra essas pessoas! Vocês são demais!).

''Um leitor vive mil vidas antes de morrer — disse Jojen. — O homem que nunca lê só vive uma. Os cantores da floresta não tinham livros. Não tinham tinta, nem pergaminho, nem língua escrita. Em vez disso tinham as árvores, e acima de tudo os represeiros. Quando morriam, transferiam-se para a madeira, para folhas e ramos e raízes, e as árvores recordavam. Todas as suas canções e feitiços, as suas histórias e preces, tudo o que sabiam sobre este mundo. Os meistres lhe dirão que os represeiros são sagrados para os deuses antigos. Os cantores acreditam que eles são os deuses antigos. Quando os cantores morrem, passam a fazer parte dessa divindade.'' (A Dança dos Dragões, Bran III)

A partir disso não é muita loucura dizer que os videntes verdes tem acesso a todo um histórico de informações de várias gerações passadas — ou até passa a fazer parte de uma espécie de consciente coletivo de todos os antepassados— nesse sentido, os videntes verdes são equivalentes a xamãs, uma pessoa especial da tribo que tem acesso a um conhecimento transcendental, uma ponte que liga o mundo material com a sabedoria de um ''mundo superior''.

Mas apesar de tudo isso fazer parecer que eles são magos extremamente poderosos, não acho que eles poderosos no sentido exagerado de, sei lá, summonar um meteoro na hora que quisessem. Acho que a influência deles no mundo é sútil, não algo direto e overpower que possa parecer um Deus Ex Machina na história (talvez a influência deles era mais direta na guerra contra os Primeiros Homens porque estavam no seu auge de poder, mas mesmo assim não era tão exagerado pois não conseguiram nem vencer a guerra). E outra, eles podem viajar pelo tempo, mas não pode muda-lo, apenas aprender com ele (imagina a bagunça que história não viraria se eles pudessem mudar o passado ou futuro?)

Importante dizer também que os represeiros não tornam uma pessoa um vidente verde, ela já nasce um. Um represeiro apenas expande seu poder... mas como diabos eles fazem isso?.

O sacrifício de sangue aos ''deuses''



''Tinha uma tigela de represeiro nas mãos, esculpida com uma dúzia de caras como aquelas que as árvores-coração ostentavam. Lá dentro trazia uma pasta branca, espessa e pesada, com veios vermelhos escuros a atravessá-la. — Tens de beber disto — disse Folha. Entregou a Bran uma colher de pau. 

O rapaz olhou para a tigela com incerteza. 

— O que é? 

— Uma pasta de sementes de represeiro. 

Algo no aspeto da coisa deixou Bran maldisposto. Supunha que os veios vermelhos fossem só seiva de represeiro, mas à luz dos archotes pareciam-se notavelmente com sangue. Mergulhou a colher na pasta e hesitou. 

— Isto fará de mim um vidente verde? 

— O teu sangue faz de ti um vidente verde — disse o Lorde Brynden. — Isto vai ajudar a 
despertar os teus dons, e vai casar-te com as árvores.''  (A Dança dos Dragões, Bran III)

Ai vemos que um vidente verde já nasce sendo vidente verde, mas a seiva dos represeiros desperta e amplifica os seus poderes. Mas o que há de especial nessa ''seiva''? Existe uma famosa teoria de que essa seiva que o Bran toma na verdade é sangue do seu amigo Jojen. Essa teoria é controversa e muita gente se recusa a acreditar nela porque eles acham inaceitável que Bran, um dos supostos ''heróis'' da história faça canibalismo ao beber o sangue de uma pessoa ( ainda mais de um amigo). Bem, independente de ser sangue do Jojen ou não, eu acredito que é realmente sangue que ele tomou. Isso porque é dito que no passado eram feitos sacrifícios humanos para os deuses. E uma outra passagem do livro — quando Bran tem outra visão de um passado ainda mais distante — parece indicar isso.

''E agora os senhores que Bran vislumbrava eram altos e duros, homens severos vestidos de peles e cotas de malha. 

Alguns tinham caras de que ele se lembrava das estátuas nas criptas, mas desapareciam antes de conseguir ligar um nome a essas caras. 

Depois, enquanto ele observava, um homem barbudo forçou um cativo a cair de joelhos perante a árvore-coração. Uma mulher de cabelo branco aproximou-se deles através de um monte de folhas caídas, vermelhas escuras, com uma foice de bronze na mão. 

— Não — disse Bran — não, não faça isso— mas eles não conseguiam ouvi-lo, tal como o pai não o ouvira. A mulher agarrou o cativo pelo cabelo, encaixou a foice em volta da sua garganta e cortou-a. E através da névoa dos séculos, o rapaz quebrado só conseguiu observar enquanto os pés do homem tamborilavam na terra... mas quando a vida fluiu para fora do seu corpo numa maré vermelha, Brandon Stark conseguiu saborear o sangue.'' (A Dança dos Dragões, Bran III).

Isso não é uma prova concreta, mas é algo considerável. Segundo a teoria, sacrifício de sangue oferecidos aos represeiros é o que desperta os poderes de um vidente verde, lembrando que sangue  é um conceito mágico muito importante no mundo das Crônicas, então não é nenhuma maluquice pensar que sangue poderia aumentar os poderes mágicos dos videntes verdes. Isso é uma teoria que eu particularmente acredito. Agora, se o sangue que o Bran tomou foi do Jojen mesmo, só vamos saber quando o próximo livro sair, no dia MIL. E outra, seria por isso que os Filhos resolveram ensinar sobre os deuses para os Primeiros Homens e converte-los  para essa crença? Para além de espiona-los através dos represeiros, faze-los sacrificarem pessoas para aumentar seus poderes? Quem sabe...

Outra coisa que quero destacar é que pelo que eu saiba, os videntes verdes surgiram no passado dentre os Filhos da Floresta — e apenas dentre eles. Então, por que humanos como Brynden Rivers e Bran são vidente verdes? A resposta, o próprio Brynden Rivers nos deu ali acima.

A linhagem mágica do norte 


''O teu sangue faz de ti um vidente verde''

Então, se os dons mágicos dos videntes verdes (e até alguns menos poderosos, como troca-peles) surgiram e estão ligados aos Filhos da Floresta, essa frase de Brynden Rivers praticamente confirma a teoria de que houve casamentos entre os Filhos e os Primeiros Homens,  e assim suas linhagens se mesclaram. Talvez foi realmente parte do pacto. Além disso, apenas pessoas com sangue do norte (os únicos descendentes dos Primeiros Homens) até agora demonstraram habilidades semelhantes aos Filhos da Floresta, como trocar de peles. Sim, essa teoria está fazendo total sentido  mas aposto que alguns de vocês estão pensando: ''ô retardado de nome estranho, e esse Brynden Rivers, hein? Ele é nortenho? Claro que não, acabei de fazer uma pesquisa na wiki e vi que ele é Targaryen. Cala boca ai você, só fala bosta, essa teoria não tem nada a ver!''

Bloodraven é um dos personagens mais fodões dessa história, e se você discorda, sinto lhe dizer... você é um bobalhão!


Primeiro de tudo, acalme-se, nada de exaltações. Vamos falar brevemente de Brynden Rivers, mais conhecido como Bloodraven. Ele realmente é Targaryen, um dos filhos bastardos de Aegon IV, rei mais desprezível dos Sete Reinos. O Reino e a família Targaryen pelo que parece eram bem importantes para Brynden, que serviu como Mão do Rei e praticamente comandou o reino durante muito tempo, além de lutar do lado dos Targaryens e matar seu meio irmão também bastardo Daemon I Blackfyre — em uma rebelião causada indiretamente pelo pai Aegon, que no leito de morte legitimou todos os seus bastardos. Já nessa época, Brynden tinha fama de mago, era dito que ele tinha ''MIL olhos e mais um'' e sabia de tudo o que acontecia no Reino (os mais céticos dirão que ele apenas tinha espiões, tipo um Varys da vida, mas acredito que essa fama dele tem a ver com sua habilidade de trocar de peles).

Tempos depois foi enviado para a Muralha por ter matado um dos filhos de Daemon, Aenys Blackfyre, quando não deveria ter matado, e logo se tornou Senhor Comandante da Patrulha da Noite — sim, ele comandou o Reino como Mão e comandou a Patrulha da Noite como Senhor Comandante, esse cara é foda. Depois Brynden desapareceu nas terras pra lá da Muralha e foi dado como morto (mas todos sabemos o o que aconteceu com ele).

Mas o que muitos se esquecem por não prestar atenção na parte feminina da linhagem é que a mãe de Brynden é Melissa Blackwood, e a Casa Blackwood são descendentes dos Primeiros Homens. Então, Brynden Rivers tem sangue de Targaryen e dos Primeiros Homens, o que o torna duplamente foda e não desvalida a teoria.

Na minha opinião dar o poder de videntes verdes para os Primeiros Homens através da linhagem sanguínea foi um dos motivos para que os Filhos tenham aceitado o Pacto e o suposto casamento entre ambos. Mas não porque eles queriam compartilhar esse poder com os humanos, até porque foram esses que causaram guerra e tanta destruição, dar um poder desse tipo a eles seria muito perigoso...e burro, muito burro. Eu acho que eles fizeram isso como uma garantia de que, se a quantidade de Filhos da Floresta diminuísse muito e não tivesse mais nenhum vidente verde disponível, eles poderiam se esconder e usar os videntes verdes humanos a seu favor. E isso eventualmente aconteceu.

Primeiro teve a apocalíptica Longa Noite, o inverno sem fim onde segundo as lendas, os Filhos e Primeiros Homens tiveram de se unir e lutar contra os misteriosos Outros (ou White Walkers) na sangrenta guerra que ficou conhecida como Batalha da Aurora. 

A Longa Noite foi um evento global e diversas culturas a descrevem de maneira diferente, mas a maioria tem algo em comum: um herói lendário que acabou com a escuridão


Depois veio a também sangrenta invasão dos Andalos, que além de dizimarem boa parte dos Filhos e dos Primeiros Homens, destruíram os represeiros em boa parte de Westeros... o que deve ter enfraquecido o poder dos poucos Filhos que sobreviveram.  Talvez eles viram esse futuro sombrio e cheio de terrores e decidiram garantir o poder de sua magia na linhagem dos Primeiros Homens, mas revelariam esse poder a eles apenas quando fosse conveniente. Nos mais de MIL anos de paz entre Primeiros Homens e Filhos da Floresta antes dessas tretas, é possível que muitos humanos fossem videntes verdes mas passaram suas vidas todas sem saber, porque não desenvolveram seus poderes. Somente quando a coisa apertou para os Filhos que eles resolveram revelar os poderes mágicos aos videntes verdes humanos e usa-los a seu favor.

Claro que essa é uma teoria que acabei de bolar aqui, sinta-se livre para repudia-la e me xingar se quiser... ou pegar de maneira mágica uma parte do livro que contrarie essa teoria. Sério, não sei como a fanbase das Crônicas conseguem achar precisamente as citações dos livros de maneira tão rápida. Ou vocês tem uma baita memória ou são bruxos. BRUXOS!

Enfim, eu acho que os Filhos estão usando videntes verdes — como Brynden Rivers, Bran, e talvez outros antes deles que não sabemos — com algum propósito.

O objetivo dos Filhos e a importância de Bran




                                       Você nunca mais voltará a andar, Bran... mas irá voar. 


É praticamente certo que Bran vai substituir Brynden como vidente verde, ele foi escolhido pra isso. Muitos adultos troca-peles passam a vida toda só conseguindo entrar em corpos de animais — e nada mais — mas Bran mesmo sendo uma criança conseguiu trocar de peles com um humano! Isso é extremamente difícil, o moleque é realmente um prodígio. Enfim, a pergunta é o que diabos vai acontecer com ele quando substituir Brynden. Primeiro, não acho que ele vá sair dessa caverna — até porque não faz mais sentido, ele não pode mais andar mesmo...no entanto ele vai poder fazer algo muito melhor: voar.

Existem muita gente querendo achando que ''voar'' quer dizer automaticamente ''voar em um dragão'', algo que eu sinceramente não consigo entender, mas enfim.. Sim, seria bem bacana mesmo o Bran poder trocar de peles com um dragão, mas me desculpem, não acho que isso vá acontecer... quer dizer, pode até acontecer mas não foi isso que Brynden quis dizer quando disse que Bran iria voar, e sim que ele vai desenvolver seus poderes de vidente verde e fazer o que eles fazem: viajar com sua consciência pelo tempo e espaço. Mas mesmo que o ''voar'' seja algo mais literal, Bran já voou quando começou seu treinamento com Brynden:

Bran escolhera uma ave, e depois outra, sem sucesso, mas o terceiro corvo fitara-o com astutos olhos negros, inclinara a cabeça, soltara um quorce fora assim de repente que deixara de ser um rapaz a olhar para um corvo para passar a ser um corvo a olhar para um rapaz. A canção do rio tornara-se de súbito mais sonora, os archotes arderam um pouco mais brilhantemente do que antes e o ar enchera-se de estranhos cheiros. Quando tentara falar, a voz saíra num grito e o seu primeiro voo terminara quando colidira com uma parede e acabara dentro do seu corpo quebrado. O corvo não se magoara. Voara para ele e aterrara-lhe no braço. Não muito tempo depois, já voava pela caverna, serpenteando por entre os longos dentes de pedra que pendiam do teto, batendo mesmo as asas por cima do abismo e descendo para as suas frias e negras profundezas. (A Dança dos Dragões, Bran III).

Pois é, Bran está treinando pra substituir o Brynden e se tornar um poderoso vidente verde, mas quando isso acontecer, o que ele fará com seus poderes? Ele poderá usar os seus poderes para ajudar as pessoas que ele ama, ou terá que seguir a ''agenda'' dos Filhos da Floresta? Eu me pergunto isso porque, como disse antes, acho possível que a consciência de um vidente verde possa acessar uma espécie de consciente coletivo dos antepassados — nesse caso, dos antepassados dos Filhos. Nesse sentido, será que os videntes ainda mantém sua personalidade individual, ou suas consciências passam fazer parte desse consciente coletivo, perdendo a individualidade no processo? A possibilidade de personagens perderem suas identidades individuais não é algo inédito nas Crônicas (só lembrar de Arya e os Homens Sem Rosto).



Mas Brynden parece ainda manter a sua personalidade — ele se lembra claramente dos fantasmas de seu passado (um irmão que odiava, uma irmã que amava), mas será que ele mantém uma vontade própria e pode usar seus poderes para o que quiser, ou os Filhos apenas estão usando os poderes dele para benefício próprio? Talvez os Filhos o convenceram de que o objetivo deles é o correto e eles estão trabalhando em conjunto, sem nenhum tipo de manipulação. E falando nisso, qual é o objetivo dos Filhos afinal?

Eu sei que com todo esse papo de ''usar os videntes verdes humanos com algum propósito'' estou dando a entender que as intenções dos Filhos da Floresta não são lá muito nobres. E talvez não sejam. Será que eles querem vingança pelo que os humanos fizeram com eles no passado? Querem tomar Westeros de volta pra eles? Não sei, tudo é possível. Mas eu não acho que eles são do tipo que são afetados por sentimentos como vingança.

''Antes de os Primeiros Homens chegarem, toda esta terra a que vós chamais Westeros era para nós um lar, mas mesmo nesses tempos éramos poucos. Os deuses deram-nos vidas longas mas não um grande número, para não sobrepovoarmos o mundo como os veados sobrepovoarão uma floresta em que não existirem lobos para os caçar. Isso foi na aurora dos dias, quando o nosso Sol ia nascendo. Agora está a pôr-se, e esta é a nossa longa queda. Os gigantes também já quase desapareceram, esses que foram a nossa desgraça e os nossos irmãos. Os grandes leões dos montes ocidentais foram mortos, os unicórnios estão praticamente extintos, os mamutes reduziram-se a algumas centenas. Os lobos gigantes perdurarão mais do que todos nós, masa sua hora também chegará. No mundo que os homens criaram não há lugar para eles, nem para nós.'' (A Dança dos Dragões, Bran III). 

Isso foi o que Folha, um dos Filhos da Floresta, disse ao Bran. Claro que isso pode ser interpretado como ódio aos homens por terem tomado suas terras e construído um mundo onde criaturas místicas não tem lugar, mas eu vejo nessas palavras muito mais conformismo, tristeza e pena do que ódio. Acho que eles veem os homens como criaturas jovens e inocentes, que estão, sem perceber, fazendo dano a eles próprios e ao planeta. Então, o objetivo dos Filhos seria usar os poderes do Bran para de alguma forma consertar as merdas que os homens fizeram e estão fazendo... antes que seja tarde. E pelo jeito, já é tarde.

''Vi o teu nascimento e o do senhor teu pai antes de ti. Vi o teu primeiro passo, ouvi a tua primeira palavra, fiz parte do teu primeiro sonho. Estava a observar-te quando caíste. E agora vieste finalmente ter comigo,Brandon Stark, embora a hora seja tardia.'' (A Dança dos Dragões, Bran I)

Mas por que é tarde demais? Eu acho que é porque finalmente o inverno está quase chegando. Mas não um inverno qualquer, e sim um inverno mais longo e poderoso como nenhum outro antes. E com ele,o retorno dos Outros e uma nova Longa Noite. 

O massacre de Durolar na série só faltou ter os Outros montados nessas aranhas pra ficar perfeito


Talvez as merdas que os homens fizeram durante as eras desequilibraram a magia do mundo, e isso faz com que os Outros saiam do extremo norte, das terras de sempre inverno para destruir a vida do planeta. Seriam os Outros uma espécie de defesa para o planeta? Com a função de matar todos para destruir as ''pestes'' que estão danificando o mundo, semelhante ao Old One do Demons Souls , por exemplo? Ou eles só são monstros cruéis e sanguinários mesmo, que esperam a oportunidade de um inverno muito longo e implacável para invadir? Por enquanto não da pra confirmar nada (assim como não da pra confirmar boa parte desse artigo, eu gosto de teorizar, me julguem), George R.R. Martin já confirmou que os próximos dois últimos livros vão finalmente explorar as terras de sempre inverno e os Outros, então finalmente teremos respostas. Eu espero.

De qualquer forma, eu acho que os Filhos e Brynden querem (ou queriam) usar os poderes do Bran como vidente verde para equilibrar a magia do mundo e impedir que a Longa Noite aconteça novamente. Mas como eles farão isso (se farão) não faço ideia. Será que os Filhos da Floresta e Bran usarão seus poderes para auxiliar um certo herói que será o responsável de equilibrar a magia do mundo... a canção de gelo e fogo? Eu não sei, mas tenho certeza que os Filhos, Brynden, Bran, e todo o conceito de videntes verdes serão importantíssimo nas guerras que estão por vir. 


Considerações Finais

Então depois de tudo isso volto a fazer a pergunta que fiz no começo desse artigo: o que diabos são esses deuses antigos afinal? Eles são os videntes verdes? Eles são o suposto consciente coletivo dos antepassados e sua sabedoria transcendental, que os videntes verdes tem acesso através dos represeiros? Ou eles são os próprios represeiros, que despertam o poder dos videntes verdes? Não posso confirmar nada, mas acho que é a resposta é uma combinação de tudo isso.



Cheguei a conclusão de que os ''deuses'' antigos não são deuses individuais no qual as pessoas devem servir (algo óbvio, duh) e nem são apenas elementais da natureza. Eu penso que o conceito que os Filhos chamam de ''deuses'' é todo um ''sistema místico'' da  própria natureza, que envolve os represeiros, a magia dos videntes verdes e mais importante, o tal conhecimento transcendental (e talvez, consciente coletivo dos antepassados) que os permitem — entre outras coisas — grande sabedoria e viajar pelo tempo. É por isso que os represeiros são tão importante para os Filhos da Floresta ao ponto de eles consideraram essas árvores os próprios deuses, porque são a chave para todo esse sistema funcionar, a ponte que conecta o vidente verde com a sabedoria superior. A simbologia da árvore como ligação a planos ou mundos elevados de existência, com sabedoria superior ou alguma doidera do tipo, é bem comum em diversas mitologias e religiões da vida real. Será que foi essa a inspiração do George R.R Martin?

Enfim, termino esse artigo (que ficou mais longo do que imaginava, admito) mas pretendo depois continuar a falar das outras religiões e deuses desse fantástico universo — tenho certeza que devem ter conceitos tão interessantes quanto dos antigos deuses — se ficaram interessados, curtam nossa página no Facebook para ficarem atualizados quando esses artigos estiverem prontos, e também para verem outros artigos do blog, claro.

Flw pra vocês, até o dia MIL!


"Muitos monarcas chegam e se vão. Um se afogou no veneno, outro sucumbiu nas chamas. Um outro ainda repousa em um reino de gelo. Nenhum deles conseguiu ficar aqui, como você faz agora. Você, conquistador das adversidades. Nos dê a sua resposta."

Todo mundo sabe – ou deveria saber – que o enredo da série Souls é bem fragmentado. Passagens e retalhos de uma história enorme, espalhados quase que randomicamente durante o jogo, mas que se ligam de alguma forma, se você observar do jeito certo.

Digamos que a série Souls é um livro com vários contos não lineares, onde no final, pra você entender, você precisa achar um meio de juntar isso tudo até que faça sentido. Ora, e esse é justamente o charme dessa série, e um dos principais atrativos pra muitos dos jogadores – sem falar do design, do gameplay e outras MIL coisas que existem pra se falar desses jogos, mas que deixarei pra outra ocasião.

Sempre tento montar a cronologia dos fatos destes na minha cabeça, é uma espécie de costume que eu tenho desde que fiquei "levemente" imerso nesse universo da série. Sim, sim, "LEVEMENTE".



Tive a ideia de fazer ESSE artigo sobre a cronologia de Dark Souls no blog logo quando o criei (que vai ser bem importante pra entender esse). Seguindo a vibe, Uor fez o mesmo com Demons Souls, NESSE sensacional artigo. E então chegou a hora de falar do mais fragmentado de todos eles! Finalmente a cronologia de Dark Souls II no recinto. Ou a tentativa de criar uma... De qualquer forma, quero avisar que tentarei focar nos detalhes do enredo principal, já que existem muitos fatores de acontecimentos distintos que complementam, mas não alteram o entendimento sobre tudo.

Uma ideia que define bem Dark Souls é o “Eterno retorno”. Isso já é fácil de observar em DS1, porém fica MUITO mais claro na sua sequência. Não importa o que façamos, sempre haverá, em algum momento da história, a ascensão e o declínio de alguma “hegemonia” diretamente ligada ou não com a Chama Primordial – um elemento totalmente subjetivo desse mundo, que define a vida e a evolução dos seres nesse ambiente.




Vocês já devem ter percebido o quanto, não só eu, mas a galera toda aqui do blog admira Dark Souls. Pois é, esse foi o game que mais joguei na vida , e um dos vários motivos para que esse jogo seja  tão incrível para mim é ele ter uma história rica e profunda, mas sem joga-la na cara do jogador, um meio de narrativa tão genial que até hoje o lore do game é discutido por ai.

Por ser tão fã de Dark Souls e da franquia Souls em geral, recentemente paguei uma dívida que tinha comigo mesmo e finalmente tive a oportunidade de zerar o irmão mais velho e obscuro de Dark Souls: Demon’s Souls. É incrível como um game tão semelhante consiga ter uma atmosfera tão diferente de Dark Souls — não melhor nem pior, apenas diferente. Então, aproveitando que já temos um artigo aqui no Blog explicando o maravilhoso enredo de Dark Souls de maneira cronológica, resolvi tentar fazer o mesmo com Demons.


Como fiz com Policenauts (para quem não, leu CLIQUE AQUI), vou trazer outros dois jogos do Kojima um pouco desconhecidos: Metal Gear e Metal Gear 2: Solid Snake. Claro, qualquer fã sabe que esses dois existiram antes de Metal Gear Solid de 1998 do Playstation, mas... QUEM JOGOU? Muitos nunca se deram ao trabalho de jogar esses dois jogos, que hoje são facílimos de jogar via HD Collection . 


Na era dos anciões, o mundo era sem forma, envolto por nevoa. Uma terra com penhascos cinzas, árvores gigantes e dragões eternos. Mas então, houve fogo. E com o fogo, veio a disparidade. Calor e frio, vida e morte, e é claro, luz e trevas. 

E então, das trevas, eles vieram , e encontraram as Almas dos Senhores no interior da chama. Nito, o Primeiro dos Mortos. A Bruxa de Izalith e suas filhas do caos. Gwyn, o Senhor da Luz Solar e seus fiéis cavaleiros. E o Furtivo Pigmeu, tão facilmente esquecido. Com a Força dos Lordes, eles desafiaram os dragões. 

Os poderosos raios de Gwyn despedaçaram suas escamas de pedra. As bruxas lançaram grandes tempestades de fogo. Nito desencadeou um miasma de morte e doenças . E Seath o Desprovido de Escamas traiu os seus semelhantes, e foi o fim dos dragões. Assim começou a Era do Fogo. 

Mas logo, as chamas irão desaparecer, e restarão apenas Trevas.
Mesmo agora, restam apenas brasas, e o homem não vê luz, mas apenas noites intermináveis.
E entre os vivos são vistos, os portadores do amaldiçoado Sinal das Trevas.

Os Lordes das Almas surgem



Num mundo disforme, cinzento e cheio de névoa, os dragões eternos dominavam, e as Serpentes Primordiais viviam no abismo, ocultas. Foi então que por uma casualidade do destino, a chama primordial “nasceu”; causando disparidade, diferindo as leis que regiam o mundo e criando um "equilíbrio" das forças naturais nesse local tão singular. 

Em nenhum momento é retratado sobre o que os Lords eram exatamente antes de conseguirem "evoluir".

Provavelmente, uma população ignorada ou subjugada pelas forças da natureza imortais que eram os dragões. Eles podem ter sido “pigmeus”, (uma espécie de raça ancestral dos humanos) que evoluíram ao patamar dos lords quando conseguiram o poder das almas diretamente da "chama" que nasceu.  

Apesar de existir indícios de raças já difundidas nessa “sociedade” que vivia às sombras dos dragões.


Os Lords, agora munidos com poder, talvez fossem capazes de derrotar os dragões e assumir o domínio, então a guerra começou. Seath, extremamente inteligente e oportuno, se aproximou dos Lords expondo as fraquezas dos seus irmãos, com planos futuros em mente. Mas o que levaria um dragão a trair os seus irmãos e destroçar a soberania de sua própria raça?

Seath não possuía escamas, que são os requisitos básicos dos dragões eternos. Logo, ele pode ter sido excluído dos demais dragões por sua “inferioridade”, e ele fez isso por vingança. Ele também pode ter feito isso por pura inveja, ou ambos! 

Você escolhe como pensar. 

Esse é o esquema de Darksouls, pense, teorize, interprete. 

Só não exagere também...

Com as informações do dragão albino, os Lords venceram os dragões e Gwyn se tornou o governante da nova era. O mundo muda completamente, sociedades e reinos são fundados.

Anor Londo

A cidade suprema dos deuses localizada em Lordran foi estabelecida, e de lá Gwyn governou e diversificou a sociedade dos deuses pelo mundo. Seath foi recompensado com o título de Duke e ganhou espaço em Londo, como também ganhou um fragmento da Lord Soul de Gwyn, recompensa por sua grande ajuda na luta contra os dragões. Foram estabelecidos os 4 cavaleiros pessoais de Gwyn, os mais habilidosos e importantes, com títulos e responsabilidades. Os cavaleiros de prata, deuses, entre outros, uma organização social e hierárquica. O que acabou se difundindo pelo resto do mundo. 


O Furtivo Pigmy e a Darksign



Pigmy, aquele que obteve a “Dark Soul”. Não se sabe o que aconteceu com ele na guerra dos Lords contra os dragões, muito provavelmente foi manipulado pelas serpentes do abismo e ficou por “baixo dos panos” na história, planejando algo, talvez. São muitas as teorias em volta desse personagem fascinante de se abordar. Uma que gosto bastante (apesar de não ter prova alguma) é a que ele é Manus.

Um pensamento que segue com essa teoria é que ele era ciente da capacidade dos humanos de se igualar aos Lords. Ele observou o que acontecia no mundo "de longe", notando que os humanos eram capazes de façanhas incríveis.

Assim, acredito eu, que possa ter desenvolvido desejo, ou até um plano para que um humano destronasse Gwyn. Talvez, ele queria destruir esse mundo governado pelo fogo... não sabemos. Ainda em TEORIA, com a ajuda das serpentes ele foi o responsável por criar a Darksign, a maldição que assolou o mundo e atingiu seus prováveis descendentes, os humanos. 

Mas o que traria de bom uma maldição tão devastadora que atingiu tantas raças para um simples humano? 

Undead (morto-vivo), um ser incapaz de ter o “eterno descanso”, forçado a sempre voltar a vida e sofrer novamente até que sua alma não aguente e se torne um "hollow", uma casca sem humanidade ou sanidade. Com o destino de estar sempre em busca de “humanidades” para se manter sã. 

Pode parecer um destino cruel, mas evoluir nesse processo é um resultado potencial também.

Vejo como se fosse uma faca de dois gumes. E funciona tanto narrativamente como de forma “gameplay”.


Morrendo você aprende a jogar, morrendo você aprende a viver, em Dark Souls.

A Dark Hand, a arte da drenagem de vida, usada pelos Darkwraiths para roubar humanidades esta diretamente ligada com a Darksoul, creio que de alguma forma Pigmy fragmentou essa Lord Soul nos humanos em "humanitys", dando a capacidade de as usarem para se fortalecer. Dessa forma, como descendentes da Darksoul, poderiam se tornar o Darklord e acabar com Age of Fire, dando inicio finalmente a Age of Dark, um reino controlado por humanos.

Quanta vezes a palavra “Dark” foi repetida...

Eles transformaram a simples ação de morrer num jogo em uma filosofia de progressão no próprio enredo do jogo.

Puta sacada genial.

A guarda pessoal de Gwyn



Os Quatro Cavaleiros que ganharam o título de "melhores" por suas grandes façanhas no combate aos dragões. Cada um tinha um papel específico, (ou quase) sob o comando de Gwyn. Não dá pra saber exatamente quais eram as raças destes também, creio que eles atingiram o status e o poder de semi-deuses de alguma forma, dados pelo Deus da Luz.

The Dragon Slayer Ornstein (O Matador de Dragões)

Era capitão dos cavaleiros de Gwyn e provavelmente o líder dos Quatro, talvez por sua maturidade e experiência em combate. Também responsável por uma das lutas mais incríveis do jogo, com sua parceria de peso, Smough.

Lord’s Blade Ciaran (Senhora das Laminas) 

Foi a única mulher entre os Quatro, e grande especialista em missões de assassinato, graças a sua furtiva habilidade com laminas.  Também liderava o grupo dos “Senhores das Laminas”, uma espécie de milícia de operações de espionagem e assassinato.

Gough Hawkeye  (Olho de falcão)

Provavelmente da raça dos gigantes, liderava os "Grandes Arqueiros". Fato interessante é que mesmo após ter ficado "cego", ainda foi capaz de acertar uma flecha NUM DRAGÃO NO AR, apenas.

Artorias, The Abysswalker  (A tradução aqui tira a graça do nome...)

Ele não liderava nenhum batalhão, mas, creio que ele era uma espécie de agente de combate pessoal escolhido para determinadas missões que talvez só ele podia resolver, devido suas grandes habilidades, uma espécie de "exercito de um homem só".


Foi quando o Abismo começou a se expandir consideravelmente, que Gwyn resolveu agir e mandou Artorias pra resolver pessoalmente e lidar com os Darkwraiths. Ele era habilidoso e derrotou inúmeros desses sugadores de vida. Foram tantas batalhas que a espada de Artorias se amaldiçoou por cortar centenas, talvez milhares dessas criaturas. Isso começou antes de New Londo ser submersa e se estendeu diretamente para o profundo Abyss.

Artorias tinha grandes amigos, Sif, o Grande Lobo Cinzento (ainda filhote aqui) e a Grande Felina Alvina, o acompanhando na missão. Tudo acabou se complicando ao se aprofundar no Abismo, numa tentativa de salvar seus amigos, ele fez um acordo com Kaathe para entrar no seu convenant, ganhando um anel como simbologia do pacto e obtendo a capacidade de andar no abismo para salvar seus companheiros. Voltando a Anor Londo, foi tratado como um herói, apesar de não ter sido o responsável por ter afundado New Londo ou sequer parado o Abismo.


Sim, ele só pegou a fama, mas em contra partida salvou seus amigos, e eu adoro personagens superestimados dentro da própria obra, com enredos internos ao naipe de "grande história jamais contada". 

Irei falar disso mais pra frente.

Continuando.

Temam o avanço do abismo

É então que Gwyn e seu tio Lloyd, "O Pai de Todos", se voltam contra os humanos ao perceber seu descontrole, como foi no caso de New Londo.

Importante dizer que os humanos adoradores de Gwyn estavam parcialmente livres desse ódio.

Creio que Lloyd decide que os Undeads são os culpados do enfraquecimento da “chama”, e se continuar assim será irreversível. Decreta então que a missão da Way of White, igreja dos adoradores de Gwyn, seja caça-los e alimentar as Bonfires (fogueiras) com seus ossos, (já que os undeads possuem humanidades dentro de si), numa tentativa de prolongar a idade do fogo.




Vocês já devem ter percebido que há um conceito bem subjetivo em Dark Souls, os elementos do jogo que compõe as lendas não são bem explicados e detalhados, o que pode não facilitar seu entendimento, por isso é necessário uma tentativa mais aguçada de compreensão e imaginação.

 Então vou expor uma visão minha, adicionando outras no processo, afinal depois de tantas pesquisas e leituras no passar dos anos é muito difícil falar algo sem pensar em inúmeras possibilidades e teorias já vistas por aí.

As “Bonfires” em Darksouls, são um complexo de fogueiras que se ligam, ou se “linkam” como prefiro falar. Elas mantém a “Chama”, aquela que causou a disparidade, acesa, o que altera diretamente na vida dos deuses que adotaram as Lord Souls provenientes da própria “Chama Primordial”.

Em outra palavras, se a "chama primordial” enfraquecer, ou pior, apagar, os deuses “irão se ferrar” e a era das trevas irá começar.

Olha, rimou.

E como deixar a chama acesa? 

Com almas ou humanidades. Que também são partes fragmentadas provenientes da Darksoul.

Viram? Seguindo essa linha de pensamento, faz bastante sentido.




É nessa época que creio que houveram muitos conflitos internos, fatos que por suas "trivialidades" só podem ter acontecido em um tempo pertinente à isso. Como o banimento do deus da guerra, filho de Gwyn. Ou Seath ficando cada vez mais poderoso e insano, o corte de relações de Velka com a maioria do panteão dos deuses de Anor, Havel se tornando bispo da Way of White, entre outros.

O medo gera o Caos

Lost Izalith, localizada abaixo de Anor, lar da pyromancia e da grandiosa Bruxa Izalith, que travou batalhas "ferventes" contra os dragões junto com suas filhas. 

Izalith, percebendo o avanço do abismo e o enfraquecimento da “chama primordial”, tem a maluca ideia de recriar a mesma a partir de sua Lordsoul. Pode ter sido prepotência ou desespero.. quem sabe ambos! Mas é isso que acarreta na segunda grande tragédia generalizada causada por um Lord e sua Lordsoul.


Sério, eles tinham que parar de mexer com isso. 

Ela cria acidentalmente uma chama corrompida, a Chama do Caos. Não conseguindo controlar, é consumida, se tornando a Bed of Chaos, um demônio que num efeito cataclísmico destrói a arquitetônica cidade com lava e fogo, envolvendo suas filhas e filho, os consumindo no processo também. Os sobreviventes se tornam demônios e Lost Izalith acaba virando um antro dessas criaturas amaldiçoadas.



Gwyn, ciente de mais uma tragédia, manda seus Silver Knights para o local numa tentativa frustada de parar o avanço dos demônios. Fazendo com que seus cavaleiros de prata sejam transformados em Black Knights, graças ao fogo do local e dos demônios, e consequentemente fazendo sua armadura resistente à isso.

Claro, para os que sobreviveram.

Para os pensam que eles ficaram queimados em outra situação, é só ler a descrição do escudo dos Black Knights. 


A ascensão e o declínio de New Londo

New Londo era uma próspera cidade de humanos dominada por 4 reis, ela tinha sua cultura e era vizinha de Anor Londo. Os reis impressionaram Gwyn de alguma forma, talvez pelo modo de governar, fazer justiça ou qualquer coisa do tipo. O deus da Luz partilhou mais uma vez sua Lord Soul, e dessa parte dividiu entre os 4 que reinavam.

Me pergunto o que faria Gwyn partilhar sua Lord Soul com humanos, ele devia ter planos bem grandes pra New Londo e deve ter ficado MUITO impressionado com esse 4 reis. Enfim, não demorou muito para que simples humanos se corrompessem com o poder e caíssem em declínio. 

Quem iria imaginar, né?!?!

Kaathe, uma das serpentes primordiais, provavelmente os manipulou, visando promover a era das trevas e conseguir o máximo de humanidades possíveis. A arte da drenagem de vidas, junto com os Darkwraiths, “Os inimigos dos homens e qualquer coisa viva que tenha alma” nasceram de uma New Londo já corrompida e junto com os 4 reis totalmente enlouquecidos aterrorizaram a cidade e as regiões próximas. 

Seres que só buscavam humanidades, sem nenhum traço dos humanos que já foram.

“E teria de ser aqui onde eles iriam perecer. “


Três feiticeiros tiveram a missão de selar a cidade (quem que mandou? não sabemos, talvez Gwyn? teria ele apelado pra feiticeiros?), o que resulta em milhares de pessoas inocentes mortas, numa tentativa desesperada de impedir o rápido avanço do Abismo. Uma cidade inteira sacrificada pra conter isso. New Londo foi submersa, afundada à força, criando um amontoado de corpos no fundo.

Os espíritos perturbados das vítimas ainda assolam o local.

Bu

Só pra quebrar o clima.

Creio também que foi após essa época que a Darksign começou a se espalhar rapidamente, talvez ela já existia em terras distantes, mas chegou em Lordran mais ou menos nesse período. Talvez, com o enfraquecimento da chama se iniciando.


Conflitos internos

Gwyn está ainda mais temeroso com os últimos acontecimentos, somado aos avisos de Frampt, uma outra serpente primordial (que segue a vontade de que a chama continue viva, diferente de Kaathe). Ela deve ter alertado ao deus da Luz que um dia um undead iria desafia-lo para assumir o controle de tudo, ou ele pode simplesmente ter notado a capacidade dos humanos somada a "faca de dois gumes" que é a maldição undead, deixando-os ainda mais perigosos. Ou simplesmente, devia ter medo que a maldição se alastrasse e chegasse aos próprios deuses!

Cada vez mais undeads nascem, até mesmo em Thorolund, lar dos clérigos devotos de Gwyn e da Way of White.


É então que um desses Undeads, o Paladino Leeroy, o primeiro undead da Way of White, é convocado para uma missão "importante". Ele foi escolhido por sua fé e ganhou uma armadura sagrada, seguida do escudo Sanctus e o grande martelo Grant, todos criados por um grandioso ferreiro dos deuses. Sua importante tarefa é de achar a Rite of Kindling, um item especial que potencializaria as bonfires, consequentemente ajudando a manter a Age of Fire.

Mas o item foi roubado por Pinwell, um necromancer ensandecido que está também roubando o poder (de alguma forma) de Nito, o Senhor das Sepulturas, um dos Lordes das almas que enfrentou os dragões eternos.

Leeroy consegue chegar aos domínios de Nito, o que é algo lendário de se fazer, mas é morto em batalha e acaba nunca achando o que procurava. Mesmo assim, torna-se um mártir, reascendendo a fé dos seus companheiros clérigos de Thorolund, acionando centenas de expedições suicidas dos mesmos em busca do Rito nas catacumbas e nos domínios de Nito.

Os clérigos undeads de Thorolund estavam indo em missões suicidas numa tentativa desesperada de achar o item, e tudo indica que Gwyn e Lloyd incentivavam isso. As atitudes de Gwyn apenas acentuam ainda mais a revolta de Havel, The Rock, que afinal, era um undead também.


Havel tinha uma relação de desprezo com Seath, por ser um dragão, por nunca ter confiado nele como traidor da própria espécie, usar magias (uma ofensa aos milagres), fazer experiências macabras e ainda ter um local e título de prestigio em Anor Londo. É difícil saber exatamente o que o motivou, mas creio que essas coisas ajudaram bastante na sua revolta, então, Havel planeja uma secreta rebelião.

Seath descobre a tentativa de rebelião e avisa a Gwyn, que mais decepcionado ainda com os humanos e com um grande amigo, ordena a prisão do mesmo. Uma batalha se inicia entre Seath e as forças rebeldes, uma confusão generalizada. Resumindo, os rebeldes são mortos e Havel é preso em uma torre.

Sim, pra mim Havel está preso naquela torre, mas existem teorias diferentes quanto a isso.

Acredito que Crossbreed Priscilla tenha sido criada nessa época. As razões da sua criação são mistério e até hoje e não considero nenhuma teoria realmente pertinente, mas sei que envolve Seath, e Velka direta ou indiretamente. Uma criatura metade dragão e outra coisa, (talvez uma espécie proveniente dos deuses), é criada, considerada uma "abominação da natureza que infringe todas as leis", sendo protegida por Velka e "selada" num mundo de criaturas não naturais que podem viver em paz, Ariamis.


Enquanto isso creio que tenha sido uma época muito plausível pra que os eventos de Oolacile tenham engrenado. Talvez um pouco depois, antes ou durante, não importa, essa foi a faixa de tempo em que ocorreu, essa época "pós anciã".

Oolacile, Manus e a verdade sobre a lenda de Artorias 

Assim como New Londo, Oolacile foi uma cidade próspera, vítima do Abismo, apesar dos fatos terem sido um pouco diferentes aqui.

Uma grande criatura assola a cidade trazendo consigo escuridão, espalhando e infectando tudo e todos com ela. Tal criatura, Manus, parece estar atrás de algo, ou alguém. Tudo indica que a serpente pode ter manipulado alguém da cidade para perturbar o local de descanso do mesmo.


Manus foi um humano primitivo, cuja humanidade foi a loucura, talvez corrompida pelo próprio abismo e acabou se tornando uma besta obscura, o Pai do Abismo. Há muitas teorias que dizem que ele foi Pigmy, e faria sim sentido, mas não é nada claro, e você tem que interpretar ou deduzir como quiser.

Pessoalmente acredito que seja o Pigmy corrompido pelo abismo e pelo que sobrou da Darksoul, sua humanidade enlouqueceu com influência do abismo e da sua Lordsoul, e o processo desencadeou a monstruosa transformação.

Por que digo ser Pigmy?

Bom, Manus foi um "homem primitivo", logo penso que ele era da mesma raça no mínimo, ou o próprio! Digo, Pigmy sumiu, e muito provavelmente fez um acordo com as serpentes que o levaram para o abismo, e lá ele permaneceu até que de alguma forma se corrompeu, porque acredito que para se transformar num "monstrão" desses, deve ter sido algo bem especial, como a Darksoul.

Mas, claro, pura especulação. 

Independente de quem foi, é agora uma criatura que está destruindo a cidade e procurando expandir seu território abissal. Além de estar procurando obsessivamente seu " Broken Pendant". As pessoas da cidade vão se transformando em monstros com certa semelhança física a Manus, e logo Oolacile cai em desgraça e fica em ruínas.

Com todos esses problemas, Gwyn provavelmente dá a missão de conter o avanço do abismo, salvar a princesa de Oolacile e derrotar Manus para Artorias. É então que o cavaleiro parte com seus dois singelos companheiros pra resolver essa "fácil" missão. No futuro, a história é contada como Artorias não chegando a salvar a cidade a tempo, mas salvando a princesa, Dusk, capturada por Manus, e morrendo para matar a besta do abismo no processo. Gough e Ciaran desaparecem depois dos eventos.

Apenas Sif e Alvina retornaram, e apenas eles sabem a verdade, até que um evento temporal nos revela tudo.

Dusk carregava o pendant que Manus tanto queria, mas de alguma forma, ela fica presa em um Golem de cristal, e permanece lá intacta através dos séculos. Até que o Chosen Undead a liberta, já em outra era, na que jogamos.

Após acharmos o Pendant, que também foi cristalizado, mas dessa vez por outro golem, (de alguma forma), Manus detecta a presença do item que ele tanto almeja e distorce o tempo, vindo diretamente do passado e nos puxando do presente, para a época em que Oolacile estava em desgraça.

Assim vemos o quão poderoso ele é, o que mais uma vez me faz ligar com a Dark Soul.


É então nos revelado que Artorias é gravemente ferido na sua luta com Manus, já que ele sacrificou seu escudo para proteger seu amigo, Sif, e acabou tendo seu braço inutilizado. A ferida do Abismo se mostra como uma maldição que consome a mente do cavaleiro, que se transforma em mais uma criatura tenebrosa, e certamente uma das mais ameaçadoras da já arruinada Oolacile.

Gough provavelmente já estava em Oolacile, ou foi lá pra ajudar seu amigo Artorias, o motivo não é claro. Mas de algum modo ele é trancado em uma torre (talvez pelas criaturas corrompidas da cidade) e tem seu elmo embalado em resina, o que deve ter provavelmente o deixado cego, numa tentativa de inutiliza-lo.  

MESMO ASSIM ACERTOU UM DRAGÃO NO AR!

Chosen Undead enfrenta o quase consumido Artorias e o derrota, impedindo que ele faça algo de errado e deixando sua honra intacta, em outras palavras, salvando o cavaleiro do seu próprio destino. Ciaran, que com certeza era ligada emocionalmente a Artorias, pede a soul do cavaleiro para o Chosen Undead, e desaparece em seguida para nunca mais ser vista.

No "quintal" do abismo, Alvina faz com que o Chosen Undead também ajude Sif, que vira um grande aliado para derrotar Manus. Com a criatura abissal morta, Dusk é liberta das mãos de Manus (no passado), e o paradoxo temporal é firmado.

Como toda viagem temporal tende a ser complexa, e por um acaso você não entendeu, irei explicar.

O próprio Chosen salvou a princesa e Sif, derrotou Artorias, Manus e talvez um dos últimos dragões lendários, no passado, vindo do futuro trazido pelo próprio Manus que era do passado! Logo, o chosen do passado libertou Dusk de Manus, que foi aprisionada no golem de cristal e foi liberta pelo chosen undead no futuro.

Eu compliquei ainda mais?

Acho que sim.



"uma grande história jamais contada". Eu gostaria muito que os outros 3 cavaleiros tivessem tido maior abrangência em seus plots, com certeza teríamos mais histórias incríveis!

Essa é minha DLC favorita da vida, a experiência que tive aqui foi muito única.

Bom, Artorias ainda assim foi um herói. Não pelo que ele ficou conhecido, mas foi.

...
Feels pra vocês


O caos gera o desespero



Entendam, Gwyn não era um mal governante, pelo contrário, o seu reino era próspero, ele era respeitado e adorado por muitos.  O que aconteceu foi que a ordem foi corrompida. Inicialmente por Kaathe. Talvez Gwyn tenha errado no começo, depositando muita confiança nos outros, principalmente nos humanos, e isso acarretou muitos problemas.

Primeiramente, o medo da Era do Fogo acabar, a decepção com aqueles que ele se importava, enfim, foram muitos eventos que deterioraram a mente dele. E isso chegou à um determinado extremo! Gwyn tomou a decisão mais desesperada que ele podia, apesar de corajosa...


Partiu de Anor Londor, levando consigo alguns de seus guerreiros até Kiln of The First Flame, o local onde residia a Chama Primordial. Lá usou sua Lordsoul, (ou o que sobrou dela), junto com ele mesmo de combustível para reascender a chama.

No processo da grande "explosão de fogo", os cavaleiros que ele levou se tornaram carcaças de algo que uma vez foram, assim como Gwyn, que conseguiu atrasar o inevitável, e a partir daí ficou conhecido como Lord Cinder, o Senhor das Cinzas.

Um dos cenários mais formidáveis desse jogo.

Gwyndolin, seu filho mais novo, criou uma grande tumba para seu pai, apesar do seu corpo não estar lá. Bem, eu não creio que Solaire seja realmente o Deus da Guerra banido como muitos pensam, mas, creio que seja uma teoria interessante, no mínimo. Enfim, independente de quem seja, o Deus da Guerra retorna a Anor, com certeza envergonhado, sentindo-se culpado, deixando seu anel de luz e seu miracle, "Great Lightining Spear" na tumba do seu pai, Gwyn.

Nota do autor: hoje que estou reupando esse artigo, reli e pude confirmar que Solaire realmente não era o Deus banido.

A loucura de Seath e a decadência de Anor Londo

Seath era extremamente complexado com sua mortalidade, dada a ausência de suas escamas, ele pesquisava insanamente uma forma de imortalidade, conduzia experiências bizarras e foi um "pai da magia". Sua loucura e experiências só aumentavam com o passar do tempo, sem Gwyn para temer, isso ficou ainda pior.

Ele se interessou por Oolacile graças ao conhecimento de magias da população da cidade, apesar de serem mais "pacificas". Provavelmente daí se inspirou pra desenvolver novas magias mortais, ou ele podia já ter sondado os conhecimentos dessa cidade há muito tempo e achou pertinente agir da forma que quisesse nela, agora com Gwyn fora.

Pelos indícios, Seath provavelmente buscava o anel de Dusk, que dobravam o poder da feitiçaria. Ela, provavelmente  temendo o uso do maníaco dragão, jogou o anel no fundo de um lago, que acabou sendo engolido por uma hydra. Seath então a aprisiona em um golem de cristal e provavelmente nessa confusão, de alguma forma é separada do seu pendant (aquele que manus tanto queria), que fica na posse de outro golen de cristal, talvez numa tentativa de Seath de barganhar com Dusk.

E talvez não tenha sido detectado por Manus todo esse tempo por estar dentro do golem, até o Chosen finalmente obtê-lo.

Seath se torna cada vez mais louco, e continua com seus experimentos absurdos, capturando humanos e outras criaturas, Anor Londo não é mais um local seguro com tantos acontecimentos, e o deuses começam a abandonar a cidade até que ela fica vazia. O dragão pálido se isola em sua biblioteca na sua contínua busca por imortalidade.


Gwyndolin permanece nas sombras, guardando a tumba do seu pai, e cria inúmeras ilusões para que a cidade tenha o aspecto grandioso que ela uma vez teve, inclusive a ilusão de Ornstein, que deixa a cidade dos deuses por alguma provável desilusão ou jornada pessoal, como a descrição do martelo de Smough nos conta.

Nota do editor: mais uma resposta dada por Ds3, huh?


O destino do Chosen Undead

Frampt começa a espalhar o mito do “Escolhido” que deverá tocar os sinos para dar continuidade a era do fogo, ele muito provavelmente influenciou a decisão de Gwyndolin para criar a ilusão da sua irmã, Gwynevere, a Princesa da Luz Solar, no intuito de instruir alguém que conseguisse chegar lá passando por todos os desafios arquitetados do caminho (que são muitos).

O undead capaz desse feito seria considerado o escolhido por Frampt para concretizar seu plano de manter a era do fogo viva, e muitos foram os que tentaram. Em contra partida ele disputa com Kaathe, que deseja justamente o contrário, que a era das trevas comece. Duas serpentes buscando manipular o destino, como sempre fizeram desde os tempos ainda mais antigos.  Não dá pra saber qual o lado do “bem” entre os dois, acho que nem existe, você decide no que acreditar.

A profecia conta que o escolhido irá começar sua peregrinação de Undead Asylun, uma prisão onde os undeads do mundo são jogados, numa tentativa mútua das pessoas de concretizarem o que foi profetizado. Um plano arquitetado por Frampt.

É então que por mais uma casualidade do destino, Oscar of Astora, um guerreiro undead, solta um corpo de um hollow munido de uma chave numa das celas. Chosen Undead (o player) consegue escapar e encontra Oscar, agora ferido adiante, que o explica sobre a lenda e sua missão, já que estava incapacitado de cumpri-la, com certeza no limite da sua transformação hollow.

Chosen derrota o demônio que feriu Oscar e provavelmente impedia que outros undeads incapazes escapassem do local, e parte pra fora do Asylum.

É então que acontece a cena que me "comprou" definitivamente pra o mundo Souls de uma vez por todas, ainda em 2012. 

Direção impecável.



Um corvo aparece e leva o undead para Lordran.


Pode ter sido algo premeditado por Frampt, pode ser sido um plano de Velka (a divindade relacionada a corvos) ou pode simplesmente ter sido um fato randômico do destino, não importa.

É então que ele chega em Lordran e parte para talvez cumprir o seu destino profetizado.


Ultimas considerações



Esse artigo foi originalmente publicado em 25/12/2014.



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